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Alunos participam de projeto piloto de Simulação em Blumenau, com debate para atualização da Carta da Terra
05/12/2025 21:16
Alunos do Ensino Médio de Blumenau vivenciam Simulação de debate da ONU, nova atividade curricular em 2026
Além do conteúdo, projeto piloto demonstra alto potencial da atividade em desenvolver habilidades comportamentais
Inspirados na Cop 30, a turma do segundo ano do Ensino Médio+Técnico em Jogos Digitais do Senac em Blumenau realizou na última quarta, dia 3, a atividade de Simulação de um debate entre nações para atualização da Carta da Terra. Na vida real, o documento foi apresentado na Conferência da ONU Rio-92 e lançado no ano de 2000, em Haia, na Holanda. Em Blumenau, a atividade faz parte do projeto piloto Simulação Senac, que está sendo incluído no currículo do Ensino Médio 2026 no estado.
Com 25 anos de experiência neste trabalho, o sociólogo Pablo Alberto Reimers Quijada explica o objetivo: “As competências são feitas para o devir. Quando a gente faz uma entrevista de emprego, ninguém vai perguntar qual é a raiz de 35, por mais que seja importante sabê-la. Vão perguntar coisas mais complexas, como: você sabe lidar com a frustração? Você sabe trabalhar em equipe? Quais são os teus principais atributos para trabalhar em equipe, como você interage? Então temos uma demanda que a gente consegue antever a tal ponto que o jovem está aqui hoje, estuda, discute, pondera.”
A Sessão: conteúdo e adequação
Durante o processo, os alunos aprenderam a construir alianças, a escrever documentos de apoio que representam o voto e a defender a posição oficial do país em relação ao tema proposto. Divididos nas delegações da Dinamarca, Suécia, Itália e Alemanha, cada equipe estudou o seu país, seu contexto e seu histórico de votações em questões ambientais. Uma equipe de apoio organizou a sala, os materiais para votação, o protocolo do evento e as perguntas que direcionaram o debate no meio da cerimônia.
O aluno Henrique Vicente de Menezes, representante da Dinamarca, destacou a polêmica sobre a eliminação dos créditos de carbono: “Os créditos de carbono, costumeiramente usados como moeda de troca por favores, são hoje usados por países que geram os créditos sendo sustentáveis, e depois vendem para países não sustentáveis como forma deles continuarem suas práticas contra o meio ambiente.”, explica.
A representante da Itália, Valentine Domingues Boeira, citou a política de resíduos plásticos. Por fim, comemorou o resultado: “A nossa proposta foi bastante questionada, mas deu tudo certo e a nossa ideia de melhorias para a Carta da Terra foi aceita e estará na Eco30.”
Soft skills: política e relacionamento
As respostas dos alunos sobre as lições aprendidas durante a vivência são claras e bastante maduras: “Eu consegui ver como a política funciona e também como uma votação pode mudar facilmente, dependendo dos interesses dos diplomatas. A questão mais desafiadora foi o convencimento da tese. Você pode sair por cima das respostas e das alfinetadas, mas sair por cima e estar certo não significa necessariamente que você aprovou a sua proposta.”, comenta Lorenzo Henrique Molino Possamai, representante da Alemanha.
Samuel Felipe Gonçalves de Oliveira, da equipe da Suécia, ressalta o desafio em respeitar o lugar do outro e as diferentes culturas: “O que mais me chamou atenção foi pensar como um sueco. Por ser um país muito diferente do que a gente mora, pensar como eles pensam e tentar vivenciar as leis ambientalistas deles foi o mais desafiador do debate e da pesquisa em si.”
Henrique, da Dinamarca, cita a confiança: “Acho que o mais desafiador foi o debate em si no trabalho em equipe, de ter que confiar no outro para dizer o que a gente queria dizer. Às vezes você confia muito na pessoa, mas ela pode falar alguma coisa que você olha e fala ‘não era pra ter dito isso’, mas a gente segue em frente.”
A analista do Ensino Médio do Senac SC, Anna Karina da Col, reforça que a metodologia desenvolve o protagonismo juvenil, envolvendo postura, oratória, respeito às diferenças, posicionamento, formação crítica e virtudes: “Esse tipo de atividade traz para eles uma questão de segurança, de postura, de argumentação, de respeito à fala do outro, de entender que a gente pode ter opiniões diferentes e continuar amigo, de fugir dessa polarização que a gente tem vivido tanto neste mundo.”
Avaliação e resultados: preparação para o futuro
O professor Albio Fabian Melchioretto, que acompanha a turma desde o ano passado e coordenou o processo, relata o progresso dos alunos: “A argumentação deles vem numa crescente. Isso é um somatório de todas as ações que a escola desenvolve. À medida que os estudantes vão se aproveitando de determinados conhecimentos, vão desenvolvendo habilidades. É possível perceber que não foi só um discurso decorado, mas entendido dentro das suas nuances. Eles se apropriaram do conhecimento, extrapolando as práticas normais de uma escola.”
Para Henrique, a principal contribuição da atividade foi “Conhecimento político. A gente teve um gostinho do que é a política em si. Isso é uma coisa essencial, boa parte da minha turma já tem idade para votar, então a gente precisa começar a ter noção. A gente vai definir o futuro do país, a gente tem voz na política agora, então é muito importante poder falar sobre isso.”
Para Albio, “essas metodologias transformam o espaço escolar, porque elas não ficam apenas no contexto da sala. Os alunos conversam com os colegas nos corredores, geram expectativa no entorno e possibilita que as escolas ultrapassem os próprios muros, com a prática de argumentação, de consulta, de discutir com o colega, de entender os limites de uma discussão, do respeito. Não há nenhum problema em se posicionar de maneira contrária, desde que se mantenha um certo equilíbrio na fala. Essa é uma metodologia que permite transcender os limites de uma escola mais tradicional.”
“Foi um modelo belíssimo”, opina Pablo sobre o resultado do projeto piloto. “Os meninos engajaram, a coragem os abraçou, eles tomaram cuidados e aprenderam muito. É um primeiro passo de um grande caminho que eles vão ter.”, conclui.
Simulações em Santa Catarina, no Brasil e no mundo
Há vários tipos de Simulações realizadas em diferentes níveis com intercâmbios de escolas. A própria ONU seleciona jovens do mundo inteiro para participar de Simulações dentro da instituição. Condutor de um dos maiores projetos de Simulação do país, Pablo já enviou alguns alunos para a organização mundial. Em São Paulo, o evento de sua escola já recebeu alunos do Recife por dois anos seguidos e, para o próximo, contará com a participação de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
No estado, a Universidade Federal de Santa Catarina também promove o evento aberto, incluindo diferentes escolas. Em 2026, as unidades do Senac trabalharão para engajar os alunos no projeto, buscando aprimorar cada vez mais a formação dos jovens de maneira diferenciada.
Simulação Senac (projeto piloto): Debate para Atualização da Carta da Terra
Delegações:
- Dinamarca:
- ANA CAROLINA WANZINACK
- EDUARDO GABRIEL CONTESINI SANTOS
- HENRIQUE VICENTE DE MENEZES
- NICKOLAS LUZ FERNANDEZ
- Suécia:
- AUGUSTO LUCIANI
- GUILHERME RADLOFF LIMA
- SAMUEL FELIPE GONCALVES DE OLIVEIRA
- VITOR GUIRADO DOS SANTOS
- Itália:
- DANIEL LUIZ HANK
- ISADORA MONTAGNA
- MOISES RAMOS ESPINDOLA
- SOPHIA GOMES BERNARDI
- VALENTINE MARIA DOMINGUES BOEIRA
- Alemanha:
- EMILY KIENEN
- JOAO PHILLIPE DA CUNHA
- LORENZO HENRIQUE PAULINO POSSAMAI
- MARIA GABRIELLE PEDROZO
- Equipe de apoio:
- JOAO CESAR RAQUEL
- JULIA BAPTISTA
- KAUA EDMO MARTINS GUARINELLI
- MARIA EDUARDA LOPES LEITE
Professor responsável: ALBIO FABIAN MELCHIORETTO