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Professores do Senac reúnem documentação e depoimentos e buscam engajamento para manter viva tradição cultural
22/10/2025 11:12
Projeto "Memória afetiva do Frühstück" visa tornar refeição alemã patrimônio cultural de Blumenau
A professora Juliana Sá Holz, coordenadora do curso de Gastronomia do Senac de Blumenau, está à frente do projeto "A Memória Afetiva do Frühstück", que busca tornar a tradicional refeição alemã Frühstück patrimônio cultural de Blumenau. O projeto conta com o apoio de entidades como a AMPE, CIB Centro de Inovação de Blumenau, Convention Bureau de Blumenau, entre outros.
A ideia do projeto surgiu após a participação de Juliana como jurada em um concurso alusivo ao aniversário da cidade de Blumenau, no ano passado. Convidada a preparar uma refeição típica alemã, após a apresentação, um dos apoiadores sugeriu à professora que preparasse uma atividade semelhante no Senac. “De imediato comentei sobre fazer um frühstück, que é tradicional de Blumenau e região. Troquei uma ideia com o professor Álbio sobre iniciarmos algo em sala de aula sobre esse assunto.” A partir dos relatos de que a prática da refeição estaria se perdendo, Juliana e o professor Álbio Allan Melchioretto começaram a trabalhar o projeto para tornar o Frühstück patrimônio cultural da cidade.
O Frühstück é uma refeição tradicional alemã que consiste em uma combinação de alimentos como pão caseiro, embutidos, de porco como linguiça e morcilha, ovos fritos, cozidos ou schmier de ovos, derivados de leite como queijinho e nata, banana crua e frita, café, leite, melado. A professora Juliana Sá Holz, que é descendente de alemães, tem uma relação especial com a refeição, que lhe remete à sua avó paterna. Ela explica que, na Alemanha, o Frühstück tem a presença da cerveja, já em Blumenau a tradição é acontecer no meio da manhã, no intervalo do trabalho na lavoura. “Normalmente os filhos levavam até a roça, para não perder tempo e trabalhar mais. Por vezes acrescenta-se comida quente como aipim frito, pirão com linguiça, pirão de feijão.”
O blumenauense Hélcio Hermes Hoffmann descreve a lembrança em sua história da familiar: “Na minha família é bem forte. O Frühstück era a primeira confraternização, porque no café da manhã nem sempre dava. Um ía tirar leite, outro filtrar o leite para o processamento, outro cuidar dos animais menores. O Frühstück era quando as pessoas já voltavam da roça, pelas 9 horas, e era um pré-almoço reforçado – mocilha, pão, queijos. Era meio parecido com o almoço já.”
Além do hábito na vida familiar, Hoffmann relata cultura da refeição também como interação social: “Na época era muito comum quando abatia um animal, fazíamos vários alimentos e mais da metade era distribuído entre os vizinhos, porque não tinha muito armazenamento. E os vizinhos faziam a mesma coisa. Então o Frühstück é um momento de muita confraternização, inclusive o pensamento para fazer o Frühstück tem a ver com vida na sociedade.”
Andamento e próximos passos do projeto
Desde o início do projeto, os professores Juliana Sá Holz e Álbio Allan Melchioretto têm desenvolvido diversas atividades para divulgar a refeição e coletar apoio da comunidade. Eles já fizeram apresentações em comunidades de igreja luterana, eventos gastronômicos e palestras. Além disso, estão catalogando as preparações típicas do Frühstück e coletando registros escritos e audiovisuais da comunidade. No departamento regional do Senac este ano, os analistas Felipe Figueiredo Martins e Nathália Bernardinetti uniram esforços na redação do projeto.
Entre as atividades previstas estão a apresentação do projeto em escolas e eventos, oficinas interativas com professores de escolas estaduais de Blumenau e região sobre como montar os preparos típicos do Frühstück e a realização de um evento gastronômico. Os próximos passos são apresentação do projeto com diretores estaduais do Senac para mensurar a abrangência e alinhamento de ações e relações institucionais para encaminhamento aos órgãos públicos e há quatro divulgações agendadas em eventos em novembro.
"Acreditamos que o Frühstück é uma refeição que une a comunidade e resgata a memória afetiva da cultura alemã em Blumenau", afirma Juliana Sá Holz. "Nosso objetivo é tornar essa refeição um patrimônio cultural da cidade, para que possa ser apreciada e valorizada por gerações futuras", conclui.
O projeto "A Memória Afetiva do Frühstück" é um exemplo de como a gastronomia pode ser um instrumento de preservação da cultura e da memória de uma comunidade. Junto ao Senac, a professora segue em busca de adesão à ideia. Com o apoio da comunidade e das entidades envolvidas, é possível tornar essa refeição tradicional alemã um patrimônio cultural de Blumenau.